LEITE DE VACA PODE CAUSAR DIABETES JUVENIL.

Autor: Dr. Humberto Arruda

12/08/2020

Vou contar a história do paciente Antônio Carlos, 14 anos, portador de diabetes tipo 1. Desde os 8 anos, ele apresentava picos de glicose entre 200 e 300 mg/dl, no período da manhã, ainda em jejum, fazendo uso de insulina. Há cerca de um ano, o adolescente foi trazido ao consultório por sua mãe Vera Lúcia, que já estava desconsolada por não conseguir manter a glicose do garoto nos patamares normais.

Diabetes tipo 1 é uma doença autoimune que compromete crianças e adolescentes. Na última década, a sua incidência tem aumentado consideravelmente, principalmente em crianças na faixa etária dos 5 anos de idade. Muitas evidências indicam que a fisiopatologia da doença está relacionado a vários fatores como Microbiota intestinal, infecções por vírus, deficiência de vitamina D3, início precoce do uso do leite de vaca e alterações genéticas. Essas causas foram relatadas em trabalho científico publicado no jornal americano de medicina genética em março de 2002.

Hoje, a maioria dos trabalhos científicos já dão conta que a proteína do leite de vaca, a caseína, tem relação muito importante com o início do diabetes tipo 1. Um outro jornal de ciência molecular publicou trabalho realizado em dezembro de 2019 pelo departamento de genética médica da Universidade Carolina de Praga (Charles University in Prague), uma das instituições mais antigas da Europa, atribuindo as causas da diabetes tipo 1 a uma interação de fatores ambientais e genéticos. Nele, os autores questionam a participação da genética, afinal de contas, a nossa genética é a mesma há mais de 20 mil anos, sobrando apenas os fatores ambientais (a epigenética) para desencadear esse gatilho da doença autoimune, levando a diabetes tipo 1.

"Hoje, a maioria dos trabalhos científicos já dão conta que a proteína do leite de vaca, a caseína, tem relação muito importante com o início do diabetes tipo 1."

Se pararmos para analisar o contexto histórico, a incidência maior foi registrada nos últimos 50 anos, ou seja, após a Segunda Guerra Mundial, o que justifica que um período tão curto não indica envolvimento de um fator genético, e sim de fatores epigenéticos. Para ser mais claro: o que nós estamos comendo, como estamos nos comportando, que vida nós estamos levando, tudo isso são fatores primordiais para desencadear não só a diabetes, como todas as outras doenças.

Gostaria muito de falar bem do leite de vaca e seus derivados, como queijo e manteiga, mas os trabalhos atuais mostram que eles estão relacionados a uma série de patologias, como câncer de mama, câncer de ovários, câncer de próstata, enxaqueca, rinite alérgica, otites de repetição, problemas gastrointestinais, uma lista infindável de patologias, inclusive das doenças autoimunes.

Como citei no início, meu paciente Antônio Carlos faz uso da insulina desde os 8 anos e, quando chegou ao consultório para ser avaliado, dei início a uma proposta de mudança de hábitos alimentares.  Os passos foram simples: tiramos da sua rotina o leite e seus derivados, o glúten e diminuímos consideravelmente a utilização de carboidratos nas refeições. Antônio também foi orientado a ingerir mais proteínas e gorduras de boa qualidade, como óleo de coco, óleo de abacate, azeite, além de proteínas como carne de boi, galinha, ovos à vontade, peixes, miúdos, saladas em legumes. Entre as opções, estavam o preparo de sopa à noite, canja de galinha (sem colocar logicamente arroz ou macarrão, pois são carboidratos de fácil digestão e quando entram no nosso organismo se transformam em açúcar imediatamente). Já em relação às frutas, Antônio foi orientado a comê-las naturalmente e nunca optar por sucos. É impossível que você que está lendo isso agora, queira tentar melhorar a sua diabetes, tentar emagrecer ingerindo suco de frutas. O suco em si faz muito mal à saúde. Comer a fruta in natura é extremamente saudável. Abacate, coco, limão, maçã, melancia, pera, frutas vermelhas como ameixa, amora, pitanga, morango são alguns exemplos de frutas com baixa carga glicêmica. Mas atenção: está liberado, no máximo, duas porções de frutas por dia, devido a frutose – o açúcar da fruta.

Após a mudança de hábitos alimentares, fizemos uma avaliação criteriosa das dosagens laboratoriais do seu organismo e corrigimos a vitamina D3, que estava baixa. Foi orientado para Antônio que não importava as calorias que ele consumia, mas sim o que ele estava optando por colocar no prato, independente da quantidade. Cerca de 15 dias após a primeira visita dele ao consultório, a mãe me ligou dizendo que tinha dias que Antônio não injetava insulina porque a glicose estava abaixo de 80 mg/dl.

Antônio Carlos vem se tratando comigo aproximadamente há um ano, neste último ele reduziu a dose da insulina, não apresentou mais picos de hiperglicemia, aumentou o peso e vem mantendo uma vida normal.

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